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Exame anticardiolipina: IgG, IgM e IgA, para que serve?

O exame anticardiolipina é uma análise de sangue utilizada para pesquisar anticorpos que podem estar relacionados a tromboses, doenças autoimunes e determinadas complicações gestacionais.

A dosagem pode incluir os anticorpos anticardiolipina IgG, IgM e IgA. Embora pertençam ao mesmo grupo, essas classes não possuem exatamente o mesmo significado e devem ser interpretadas em conjunto com o histórico do paciente e outros exames.

O teste faz parte da investigação da síndrome do anticorpo antifosfolípide, conhecida como SAF. No entanto, uma anticardiolipina positiva, isoladamente, não confirma o diagnóstico.

O que é o exame anticardiolipina?

A cardiolipina é um fosfolipídio, um tipo de gordura presente nas estruturas celulares. Em algumas situações, o sistema imunológico produz anticorpos que reconhecem complexos formados pela cardiolipina e por proteínas ligadas a ela.

Esses anticorpos são chamados de anticorpos anticardiolipina e pertencem ao grupo dos anticorpos antifosfolípides.

O exame identifica e mede a presença desses anticorpos no sangue. Dependendo da solicitação, podem ser avaliadas separadamente as classes IgG, IgM e IgA.

Para que serve o exame anticardiolipina?

O exame anticardiolipina serve para auxiliar na investigação de alterações relacionadas à produção de anticorpos antifosfolípides.

Ele pode ser solicitado em situações como:

  • trombose venosa ou arterial sem causa esclarecida;
  • episódios recorrentes de trombose;
  • determinadas perdas gestacionais recorrentes;
  • complicações gestacionais relacionadas à placenta;
  • suspeita de síndrome do anticorpo antifosfolípide;
  • lúpus eritematoso sistêmico;
  • outras doenças autoimunes;
  • necessidade de confirmar um resultado anteriormente positivo.

O teste não é indicado como rastreamento geral de trombose para todas as pessoas. Sua solicitação deve considerar os sintomas, o histórico e os fatores de risco de cada paciente.

👉Sugestão de leitura: Exames para trombofilia: conheça os principais marcadores

Qual a diferença entre anticardiolipina IgG, IgM e IgA?

IgG, IgM e IgA são classes diferentes de anticorpos. Saber qual delas está presente ajuda o profissional de saúde a avaliar o significado do resultado.

ClassePapel na investigação
Anticardiolipina IgGIntegra os critérios laboratoriais utilizados na classificação da síndrome antifosfolípide. Resultados persistentes em níveis moderados ou altos costumam apresentar maior relevância clínica.
Anticardiolipina IgMTambém integra os critérios laboratoriais. Resultados isolados ou baixos precisam ser avaliados com cautela, pois podem ser transitórios.
Anticardiolipina IgAPode ser utilizada como exame complementar em situações selecionadas, mas não integra os critérios laboratoriais ACR/EULAR de 2023 para classificação da síndrome antifosfolípide.

A IgA não substitui as dosagens de IgG e IgM. Sua inclusão depende da suspeita clínica e da estratégia de investigação definida pelo médico.

Da mesma forma, uma anticardiolipina IgA positiva não confirma isoladamente a presença da síndrome antifosfolípide.

Como é feito o exame anticardiolipina?

O exame é realizado por meio da coleta de uma amostra de sangue venoso, geralmente retirada de uma veia do braço.

No laboratório, a amostra é analisada para detectar e quantificar os anticorpos solicitados. As classes IgG, IgM e IgA são medidas separadamente e aparecem individualizadas no laudo.

O prazo de resultado pode variar conforme a classe pesquisada, o método utilizado e a rotina do laboratório.

O exame anticardiolipina precisa de jejum?

Em geral, o exame anticardiolipina não precisa de jejum. Entretanto, é importante confirmar a orientação do laboratório, principalmente quando outros exames serão realizados na mesma coleta.

O paciente também deve informar os medicamentos utilizados e seguir as instruções recebidas. Nenhum anticoagulante ou outro medicamento deve ser suspenso por conta própria.

Como entender o resultado da anticardiolipina?

O laudo apresenta um resultado numérico e a classificação correspondente. Conforme o método utilizado, o resultado pode ser descrito como:

  • não reagente ou negativo;
  • indeterminado;
  • reagente baixo;
  • reagente moderado;
  • reagente alto.

Tradicionalmente, podem ser utilizadas unidades como GPL para IgG, MPL para IgM e APL para IgA. Entretanto, existem diferenças entre métodos e fabricantes.

Por isso, o número deve ser comparado com o intervalo de referência apresentado no próprio laudo.

Quais são os valores de referência da anticardiolipina?

Os valores de referência da anticardiolipina podem variar conforme:

  • a classe pesquisada;
  • o método analítico;
  • o fabricante do reagente;
  • a unidade utilizada;
  • os critérios adotados pelo laboratório.

Não é correto comparar diretamente resultados obtidos por métodos ou laboratórios diferentes sem observar as unidades e os respectivos intervalos de referência.

Ao acompanhar o exame ao longo do tempo, o médico também pode considerar se houve mudança de metodologia entre as coletas.

O que significa anticardiolipina positiva?

Uma anticardiolipina positiva significa que o anticorpo pesquisado foi detectado na amostra. Esse resultado, porém, não permite concluir sozinho que a pessoa tenha uma doença.

A positividade pode ocorrer em situações como:

  • síndrome do anticorpo antifosfolípide;
  • lúpus e outras doenças autoimunes;
  • algumas infecções;
  • uso de determinados medicamentos;
  • presença transitória do anticorpo.

Resultados baixos, especialmente quando aparecem apenas uma vez, podem ter significado diferente de uma positividade persistente em nível moderado ou alto.

A interpretação considera a classe encontrada, a intensidade do resultado, o histórico de trombose ou complicações gestacionais e os demais exames realizados.

+ Leia também: Homocisteína alta e trombofilia: qual é a relação?

Anticardiolipina positiva confirma síndrome antifosfolípide?

Não. A anticardiolipina positiva isoladamente não confirma a síndrome do anticorpo antifosfolípide.

A avaliação da SAF combina critérios clínicos e laboratoriais. Isso significa que o profissional considera tanto manifestações compatíveis quanto a presença de anticorpos antifosfolípides.

Os principais exames utilizados nessa investigação são:

  • anticardiolipina IgG e IgM;
  • anti-beta-2-glicoproteína I IgG e IgM;
  • anticoagulante lúpico.

A anticardiolipina IgA pode complementar a investigação em situações específicas, mas não faz parte dos critérios laboratoriais ACR/EULAR de 2023.

Também é importante entender que critérios de classificação são utilizados principalmente para padronizar estudos científicos. O diagnóstico de cada paciente depende da avaliação médica individual.

Por que repetir a anticardiolipina depois de 12 semanas?

Os anticorpos anticardiolipina podem aparecer temporariamente, inclusive após algumas infecções. Para verificar se a positividade é persistente, o médico pode solicitar uma nova dosagem.

Na investigação da síndrome antifosfolípide, a persistência dos anticorpos é tradicionalmente avaliada por dois resultados positivos obtidos com intervalo mínimo de 12 semanas.

Isso não significa que todo resultado alterado deva ser repetido automaticamente. A decisão depende da concentração encontrada, da classe pesquisada, do histórico do paciente e dos outros exames.

Repetir a dosagem poucos dias depois geralmente não permite diferenciar uma alteração transitória de uma positividade persistente.

Quais exames complementam a anticardiolipina?

A anticardiolipina representa apenas uma parte da investigação dos anticorpos antifosfolípides. Conforme o caso, o médico pode solicitar:

  • anticoagulante lúpico;
  • anti-beta-2-glicoproteína I IgG e IgM;
  • anticardiolipina IgG e IgM;
  • anticardiolipina IgA;
  • hemograma com contagem de plaquetas;
  • outros exames de coagulação.

A presença de mais de um tipo de anticorpo pode ter interpretação diferente de um único teste positivo. Por isso, os exames devem ser analisados em conjunto.

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Anticardiolipina e anticoagulante lúpico são o mesmo exame?

Não. Embora façam parte da investigação dos anticorpos antifosfolípides, são exames diferentes.

A anticardiolipina é pesquisada por testes que detectam anticorpos específicos no sangue. O anticoagulante lúpico, por sua vez, é identificado por uma sequência de testes funcionais de coagulação.

Apesar do nome, o anticoagulante lúpico não é encontrado apenas em pessoas com lúpus. O termo “anticoagulante” também não significa que a pessoa esteja protegida contra coágulos.

Os exames podem ser solicitados em conjunto porque um deles pode estar positivo enquanto o outro permanece negativo.

Anticardiolipina positiva significa risco de trombose?

A presença do anticorpo não permite determinar sozinha se uma pessoa terá trombose.

A avaliação do risco considera fatores como:

  • classe do anticorpo;
  • intensidade da positividade;
  • persistência em coletas diferentes;
  • presença de outros anticorpos antifosfolípides;
  • histórico pessoal de trombose;
  • doenças e fatores de risco associados.

Um resultado positivo não é motivo para iniciar aspirina, anticoagulante ou qualquer outro medicamento sem orientação médica.

Onde fazer o exame anticardiolipina em São Paulo?

O Posenato Diagnósticos realiza exames laboratoriais com atendimento particular, sem convênio, na Vila Pompeia, em São Paulo.

Também contamos com coleta domiciliar nas regiões atendidas, oferecendo mais comodidade para quem precisa realizar vários exames na mesma ocasião.

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Perguntas frequentes sobre o exame anticardiolipina

1. O que o exame anticardiolipina detecta?
O exame detecta anticorpos do grupo dos antifosfolípides. Eles podem ser pesquisados separadamente nas classes IgG, IgM e IgA.

2. Anticardiolipina IgG e IgM são o mesmo exame?
Não. São classes diferentes de anticorpos, medidas e apresentadas separadamente no laudo. As duas podem ser solicitadas na mesma coleta.

3. Para que serve a anticardiolipina IgA?
A anticardiolipina IgA pode complementar a investigação em situações selecionadas. Ela não integra os critérios laboratoriais ACR/EULAR de 2023 para classificação da síndrome antifosfolípide.

4. Anticardiolipina positiva significa lúpus?
Não. O anticorpo pode aparecer em pessoas com lúpus, mas também em outras situações. O resultado não confirma isoladamente lúpus ou síndrome antifosfolípide.

5. O que significa anticardiolipina fraco positivo?
Significa que o anticorpo foi encontrado em uma concentração baixa, conforme o limite definido pelo método. A interpretação depende da classe, do histórico clínico, dos outros exames e da persistência do resultado.

6. Anticardiolipina indeterminada é positiva?
Não necessariamente. A faixa indeterminada representa um valor próximo ao limite definido pelo método. O médico avaliará se existe indicação de acompanhamento ou nova coleta.

7. Anticardiolipina negativa exclui síndrome antifosfolípide?
Não necessariamente. A investigação também pode incluir anticoagulante lúpico e anti-beta-2-glicoproteína I. A avaliação depende do conjunto de exames e do quadro clínico.

8. O exame anticardiolipina precisa ser repetido?
Nem sempre. Quando é necessário avaliar a persistência de um resultado positivo, o médico pode solicitar nova dosagem após um intervalo mínimo de 12 semanas.

9. O exame anticardiolipina precisa de jejum?
Em geral, não. Caso outros exames sejam realizados na mesma coleta, é necessário verificar se algum deles exige preparo.

10. Anticardiolipina positiva pode causar perda gestacional?
O resultado isolado não permite determinar a causa de uma perda gestacional. A investigação de perdas recorrentes envolve avaliação obstétrica, clínica e laboratorial mais ampla.

Referências:

Mezhov V, Segan JD, Tran H, Cicuttini FM. Antiphospholipid syndrome: a clinical review. Med J Aust. 2019 Aug;211(4):184-188. doi: 10.5694/mja2.50262. Epub 2019 Jul 4. PMID: 31271468.

Danao T, Camara EG. The anticardiolipin syndrome. Am Fam Physician. 1989 Jan;39(1):107-10. PMID: 2643272.

Bick RL, Baker WF. Anticardiolipin antibodies and thrombosis. Hematol Oncol Clin North Am. 1992 Dec;6(6):1287-99. PMID: 1452512.

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