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Resumo sobre enzimas hepáticas

Enzimas hepáticas alteradas são um achado comum em exames de sangue e costumam gerar preocupação, especialmente quando aparecem de forma inesperada em um check-up de rotina. Muitas pessoas recebem o resultado com ALT, AST, GGT ou fosfatase alcalina acima do valor de referência mesmo sem apresentar sintomas aparentes, o que levanta dúvidas importantes: isso é grave? Precisa tratar? Quando investigar melhor?

As enzimas hepáticas funcionam como marcadores indiretos da saúde do fígado. Quando o órgão está sob estresse, inflamação, sobrecarga metabólica ou lesão, essas enzimas tendem a “vazar” das células hepáticas para a corrente sanguínea, tornando-se detectáveis em níveis mais altos nos exames laboratoriais. Na maioria dos casos, alterações leves não indicam uma doença grave, mas servem como um sinal de alerta precoce de que algo merece atenção.

O que são enzimas hepáticas

As enzimas hepáticas são proteínas produzidas principalmente pelas células do fígado (hepatócitos) e participam de processos essenciais, como metabolização de nutrientes, desintoxicação de substâncias nocivas, produção da bile e regulação do metabolismo energético. Elas atuam como catalisadores de reações químicas vitais para o equilíbrio do organismo.

Na prática clínica, a dosagem dessas enzimas no sangue permite avaliar, de forma indireta, se o fígado está funcionando adequadamente ou se há indícios de inflamação, lesão ou obstrução das vias biliares.

Principais enzimas do fígado e o que cada uma indica

Embora existam várias enzimas produzidas pelo fígado, algumas têm maior importância diagnóstica e são solicitadas rotineiramente nos exames de função hepática.

ALT (TGP – alanina aminotransferase)
É a enzima mais específica para lesão das células hepáticas. Quando está elevada, geralmente indica inflamação ou dano direto ao fígado, como ocorre em hepatites, uso de medicamentos hepatotóxicos ou fígado gorduroso.

AST (TGO – aspartato aminotransferase)
Também se eleva em doenças do fígado, mas pode aumentar em outras situações, como lesões musculares ou problemas cardíacos. Por isso, sua interpretação deve sempre ser feita em conjunto com a ALT.

👉Sugestão de leitura : TGO e TGP: O Que São, Quando Solicitar e O Que Indicam no Fígado

GGT (gama-glutamil transferase)
Está fortemente associada a alterações das vias biliares, consumo de álcool, uso de medicamentos e síndrome metabólica. É uma das enzimas mais sensíveis para detectar sobrecarga hepática, mesmo em fases iniciais.

Recebeu um resultado de GGT alterado? Acesse nosso post Gama GT Alta: O Que Significa e Quando se Preocupar e entenda mais sobre essa condição.

Fosfatase alcalina
Quando elevada junto com a GGT, costuma indicar obstrução ou inflamação das vias biliares. Isoladamente, também pode se alterar em doenças ósseas, o que exige uma avaliação cuidadosa do contexto clínico.

O padrão de elevação dessas enzimas — e não apenas o valor isolado — é o que ajuda o médico a identificar a provável causa da alteração.

🔗Leia também: Exame de Fosfatase Alcalina: Para Que Serve e Como Interpretar os Resultados?

O que significa ter enzimas hepáticas alteradas

Ter enzimas do fígado alteradas significa que o órgão está reagindo a algum tipo de agressão, inflamação ou sobrecarga. Isso não quer dizer, automaticamente, que exista uma doença grave instalada. Alterações leves e transitórias são relativamente comuns e podem ocorrer após infecções virais leves, uso passageiro de medicamentos, ingestão de álcool ou até esforço físico intenso.

Já elevações persistentes, progressivas ou associadas a sintomas como cansaço excessivo, dor abdominal, icterícia (olhos amarelados), náuseas ou perda de apetite exigem investigação mais detalhada.

Enzimas hepáticas altas são perigosas?

Nem sempre. Em muitos casos, enzimas hepáticas levemente elevadas indicam apenas uma alteração funcional reversível. No entanto, alguns cenários merecem atenção especial:

– Valores acima de duas ou três vezes o limite de referência
– Alterações simultâneas de várias enzimas
– Persistência da elevação em exames repetidos
– Associação com sintomas clínicos
– Presença de fatores de risco como obesidade, diabetes, colesterol alto ou consumo frequente de álcool

Nessas situações, a investigação é fundamental para descartar doenças hepáticas crônicas ou progressivas.

Principais causas de alteração nas enzimas hepáticas

Diversas condições podem levar à elevação das enzimas do fígado. Entre as mais comuns estão:

Hepatites virais ou autoimunes
Inflamações do fígado causadas por vírus (como hepatite B e C) ou por mecanismos autoimunes costumam elevar ALT e AST de forma significativa.

Esteatose hepática (fígado gorduroso)
Muito frequente em pessoas com sobrepeso, obesidade, resistência à insulina ou diabetes. Geralmente cursa com elevações leves a moderadas de ALT, AST e GGT.

Consumo de álcool
O álcool é uma das causas mais comuns de alteração das enzimas hepáticas, especialmente da GGT. Mesmo o consumo considerado social pode interferir nos resultados.

Uso de medicamentos
Substâncias como paracetamol, estatinas, anticonvulsivantes, antibióticos e alguns fitoterápicos podem causar estresse hepático e elevar enzimas.

Doenças das vias biliares
Obstruções, inflamações ou cálculos biliares costumam elevar GGT e fosfatase alcalina de forma mais acentuada.

Cirrose hepática
Em fases mais avançadas, pode haver elevação persistente das enzimas, embora em alguns casos elas se mantenham apenas discretamente alteradas.

Enzimas hepáticas e síndrome metabólica

Alterações nas enzimas do fígado estão cada vez mais associadas à síndrome metabólica, um conjunto de condições que inclui obesidade abdominal, resistência à insulina, hipertensão e dislipidemia. Nesses casos, o fígado sofre acúmulo de gordura e estresse oxidativo, o que pode elevar principalmente ALT e GGT.

Mesmo alterações discretas em pessoas com esses fatores de risco merecem acompanhamento, pois podem indicar risco aumentado de progressão para fígado gorduroso não alcoólico e doenças cardiovasculares.

Quando fazer exames de função hepática

Os exames de função hepática podem ser solicitados tanto em avaliações de rotina quanto em situações específicas, como:

– Check-up preventivo
– Investigação de cansaço persistente ou mal-estar inespecífico
– Monitoramento do uso de medicamentos contínuos
– Avaliação de consumo de álcool
– Acompanhamento de doenças metabólicas
– Diagnóstico e controle de hepatites

Cuidados naturais para manter as enzimas hepáticas em equilíbrio

Além do acompanhamento médico e dos exames periódicos, alguns hábitos ajudam a proteger o fígado:

– Alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e alimentos antioxidantes
– Redução ou abstinência do consumo de álcool
– Controle do peso corporal
– Prática regular de atividade física
– Hidratação adequada
– Uso consciente de medicamentos, sempre com orientação profissional

Essas medidas não substituem o tratamento médico quando necessário, mas têm papel fundamental na prevenção e na recuperação da saúde hepática.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Enzimas hepáticas altas sempre indicam doença?
Não. Alterações leves podem ser transitórias e não representar doença grave. A interpretação depende do contexto clínico e da persistência da alteração.

2. Qual exame detecta enzimas do fígado?
O exame de sangue conhecido como exame de função hepática avalia enzimas como ALT, AST, GGT e fosfatase alcalina.

3. É preciso jejum para fazer exame de enzimas hepáticas?
Nem sempre é obrigatório, mas seguir as orientações do laboratório garante resultados mais confiáveis.

4. As enzimas do fígado podem normalizar sozinhas?
Sim, quando a causa é temporária, como uso passageiro de medicamentos ou infecções leves. Em outros casos, é necessário tratar a causa de base.

5. Quando repetir o exame?
Geralmente após algumas semanas, conforme orientação médica, especialmente se houver alteração persistente ou fatores de risco associados.

Onde realizar exames de enzimas hepáticas

O acompanhamento regular das enzimas hepáticas é uma das principais ferramentas para detectar precocemente alterações no fígado e prevenir complicações futuras.

No Posenato Diagnósticos, você pode realizar exames de função hepática de forma particular, sem necessidade de pedido médico, com preparo claramente orientado, atendimento acolhedor e resultados rápidos. Nossa equipe está disponível para orientar sobre o exame e auxiliar na melhor forma de acompanhamento da sua saúde.

Cuidar do fígado é investir em qualidade de vida e prevenção.

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Referências:

Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH)

National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases

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